A Associação Gaúcha de Trovadores de Julio de Castilhos é uma associação privada criada em 29/05/2012 com a finalidade de realizar atividades de organizações associativas ligadas à cultura e à arte.

CNPJ

17.994.230/0001-16

Data de Abertura

29/05/2012

Natureza Jurídica

399-9 - Associação Privada

Endereço

  • Av Borges de Medeiros, 833
  • Centro - Julio de Castilhos/RS
  • 98.130-000

Telefone

  • (55) 3271-2127

Atividade Econômica Principal

94.93-6-00 - Atividades de Organizações Associativas Ligadas à Cultura e à Arte

 

A TROVA EM JÚLIO DE CASTILHOS

A trova em Júlio de Castilhos vem anos atrás, quando cada estrofe ainda era composta por quatro versos. Havia alguns trovadores na cidade com destaque para Lúcio Paixão Corrêa. Trovador negro, carroceiro muito bem quisto pela sua honestidade, uma pessoa simples; nos dias de finados rezava o terço cantando no cemitério; também foi vereador e; escreveu algumas décimas, arte essa bastante difundida na época e hoje em desuso.


Nestes tempos, um trovador, destes que ficam na volta de fora, porém dos bons, chegava das plagas de São Sepé para Júlio de Castilhos. Não se apresentava muito nas rodas sociais e eventos embora os acompanhasse assiduamente, e quando solicitado a cantar versos não se fazia de rogado. Este trovador se chamava Manoel José Cardoso da Silva, apelido Manoel Argola. Nascido e criado na Fazenda Santa Flora – São Sepé, seus pais eram agregados naquela Fazenda que era a segunda sede da Estância que ocupava quadras de sesmarias de único dono. O Manoel era peão de toda a lida. Domador, alambrador e nos dias de folga tocava uma vaneira numa gaita de oito baixos que aprendera com muito sacrifício para fazer serenata a uma namorada chamada Eloá.
Deixando a Fazenda, ele e seu irmão por parte de pai, João Vargas da Silva, resolveram subir a serra a cavalo e, nos aperos, cada um trazia mais de cem argolas, assim chegando a Júlio de Castilhos. Devido a isto, os amigos que fizeram na cidade passaram a chamá-los Manoel e João argola, apelido o qual não os incomodava. E por conta dele Manoel cantava o seguinte verso:


Me chamo Manoel Cardoso
Argola por apelido
Às vez’ bato ferro branco
Por gostar de ouvir o tinido.

 

Certa feita, num concurso de trova na Rádio Júlio de Castilhos, um trovador arrematou o verso dizendo que era campeão, e Manoel respondeu:


Você disse que é campeão
Mas não é o que o povo diz
Que te encontraram deitado
Em frente à igreja matriz
Com mais de quarenta guaipeca
Lambendo no teu nariz.

 

Este era Manoel Cardoso da Silva, o Manoel Argola. O trovador foi o primeiro a cantar a trova do martelo em Júlio de Castilhos junto com um colega e amigo. Manoel também se dedicou a ensinar a trova, ensinou João Campeiro, João Batista e seus filhos, entre eles Zequinha Silva, hoje representante da trova local.
Que contava de um duelo de trovas do trovador Lúcio Paixão Correa. Vinda uma caravana de trovadores de Porto Alegre chamaram um trovador local para representar a cidade de Júlio de Castilhos, para isso Lúcio Paixão Correa foi chamado. Sem muita pressa, mas também sem medo, Lúcio se chegou para a disputa de versos. Chegando ao cinema municipal, local do embate, encontravam-se entre os desafiantes da capital Gildo de Freitas, Inácio Cardoso e outros, porém nesta feita um fato lamentável viria a ocorrer, posto que o grande ídolo da trova do Rio Grande do Sul sabe-se lá por que, ao ver Lúcio Paixão Corrêa, achou que lhes estavam fazendo uma palhaçada devido a estampa do trovador negro que se apresentava, expressou o seguinte: - Vocês podem enrolar um pedaço de fumo que eu canto”.


Esta declaração gerou um grande conflito, e a sociedade castilhense não permitiu que Gildo entrasse no cinema para o duelo de trovadores. Dessa maneira, quem trovou com Lúcio Paixão Correa foi Inácio Cardoso, que era um grande trovador e criador da trova de seis versos chamada de Mi Maior de Gavetão. E como a verdade deve ser dita, o nosso Lúcio realmente não tinha força para derrubar Inácio Cardoso e lá pelas tantas da trova o Lúcio cantou um verso atirando a toalha, mais ou menos assim:


Reconheço seu talento
E não tenho pretensão
Me considero uma perdiz
Nas unhas de um gavião.

E o Inácio Cardoso sentindo que o oponente já estava se entregando e com falta de recursos para suportar o desafio por mais tempo, não perdeu a oportunidade e lhe respondeu assim:


Nas unhas de um gavião
Pois eu vou dizer pra ti
Que tenho viajado muito
Neste mundão por aí
E tenho visto de tudo
Só perdiz preta eu não vi.

Fora essa história, que muito marcou a trova de Júlio de Castilhos, outros tantos trovadores vem escrevendo em versos estas páginas da cultura gaúcha como, Adão Portela (Leão da Serra), João Martins, João Alceu (Peão Campeiro), João Batista Nogueira, Preto Limão, Bento Martins Portela (Tocaio) entre outros formadores da antiga geração e que moldaram os rumos da arte na região central do Rio Grande do Sul. Quanto a nova geração, esta será apresentada em outras sessões deste site. Residindo em outras plagas, Derli Silva, nascido na divisa de Júlio de Castilhos e Tupanciretã, diz que Júlio de Castilhos não é mais a terra dos fazendeiros e nem capital do charolês e sim capital do trovador, frase que dita por ele se torna de grande valia.


Hoje a Invernada da Trova traz os grandes nomes do Rio Grande do Sul na arte da trova e figura entre os grandes festivais como, o Mi Maior de Gavetão – Sapucaia do Sul, a Pua de Ouro – Caçapava do Sul, o Encontro de Trovadores – Cacequi, São Sepé e Cancela da Rima – São Vicente. O repentismo, através destes festivais, está chegando a um patamar cultural elevado, pois os seus trovadores tem demonstrado grande crescimento intelectual e de conhecimentos gerais.